quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

PALAVRAS AO VENTO 2 - Por Aristide Battisti

PALAVRAS AO VENTO 2 – PARA ARISTIDE BATISTTI
Carlos Lindberg
A polêmica sobre o caso Batistti resume-se à pergunta sobre se uma  decisão emanada da autoridade máxima de um Pais pode ser revogada pela decisão de um par que a sucedeu na cadeira presidencial. Claro que a pergunta pode suscitar novas polêmicas e controvérsias. Entretanto, no meu modo simples de entender as coisas, já está entranhado no inconsciente coletivo do povo brasileiro que “Palavra de Rei não volta atrás”. E quem mais Rei do que o ex-presidente Lula para assinar a concessão de asilo político a um cidadão de outro país?
Sobre Batistti uma matéria publicada no site   http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,conheca-os-argumentos-pro-e-contra-a-extradicao-de-battisti,320869,0.htm  nos informa que o grupo político no qual Batistti praticou seus “crimes”, (grifo meu) era o  Proletários Armados pelo Comunismo (PAC).   "Battisti fazia parte de um grupo minúsculo e, dentro desse grupo, era uma pessoa insignificante. O azar dele foi ter recebido o estatuto de refugiado justamente quando o governo Berlusconi - o mais à direita desde 1945 e o mais à direita de toda a Europa - decidiu aumentar a ofensiva contra imigrantes, ciganos, pobres e tudo o que tenha tonalidades vermelhas."
Isso bastaria para nos lembrar que de 1964 até 1985 a coisa no Brasil era assim ou pior. Era muito fácil pintar anjos como Marina Silva Ou Dilma Roussef, ou Lula de demônios. Todos os que combateram pela Justiça se opuseram a essa mentira e a ditadura foi embora. Mas como será lá pela Itália agora? Será que não estarão queimando como hereges aqueles a quem amanhã irão erguer estátuas?
Mas o mérito da questão não é exatamente esse. O mérito é se se deve anular a última decisão do Maior Político com P maiúsculo que o Brasil conheceu.
Que artifícios hermenêuticos (talvez de silicone) irão criar os inimigos da história positiva para justificar o injustificável, sabendo, como sabemos que os povos que esquecem o seu passado estão condenados a repeti-lo?
Acatar o pedido de extradição de Batistti seria arriar as calcinhas da Soberania Nacional para que os neo-romanos tentem agregar mais um neo-protetorado – político? econômico? diplomático? Imagético? – perante a comunidade internacional e firmar-se como ainda “superior”. Coisa de europeu "neo-colonizador do passado".
Mas... Superior em que? Se for confiada em superioridade bélica, nós já mostramos na II Guerra Mundial as qualidades do soldado brasileiro. Além disso, agora Dona Dilma vai comprar uns caças franceses que podem responder muito eficientemente a qualquer intrusão em nosso “way of life”.
Na diplomacia temos craques que podem confirmar a boutade verídica de Napoleão de que a palavra é mais forte do que a espada. Mas se escolherem a espada, eu mesmo também compro uma.
Nas questões ligadas à Organização Mundial do Comércio, tenho certeza de que um rompimento de qualquer tipo com a Itália, não faria nem cócegas na pujante economia brasileira (fato que devemos agradecer a Lula e aos que o auxiliariam).
Falando em auxiliar, estou escrevendo isso para que, de algum modo, chegue às mãos de quem de direito, o conhecimento, seja lá onde for, de que não se discutem as decisões de um povo soberano. Um povo que sabe o que sofreu sob o comando dos uniformes. Nosso uniforme agora é ideológico: é branco (cor  símbolo da Paz) e com uma faixa vermelha, cor de sangue, o sangue de um que derramou os seu próprio em defesa dos ideais de amor, acolhimento e perdão.
Se Roma, sede do Vaticano, não consultar o Papa sobre este assunto, estará pisoteando o “cristianismo da Igreja Católica”. E se o Papa não concordar com a concessão do asilo político, estará pisoteando seu proprio "cristianismo". Acho bom também lembrar que os centuriões modernos vestem terno ou uniforme.
Para nós aqui, que sabemos que quem inventa o pecado também pode oferecer o perdão, Batistti fica aqui. Além disso, duvido que a Presidenta discorde do discernimento político de um companheiro que sabe como aumentar a influência do Brasil no cenário internacional para exportarmo-nos. Mesmo à custa de uma queda de braço no cenário político internacional com o novo "César": il signore Berlusconi. Isso também repercute internamente; viu Dona Dilma!
Só não podemos peitar ainda: os Estados Unidos, a Rússia, e a China. Mas esses romanos? que nos abordem com boas Maneiras. Se não as tiverem consultem os Franceses.

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