terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Palavras ao vento 3 - TIRIRICA

PALAVRAS AO VENTO 3 – Carlos Lindberg

TIRIRICA
            Francisco Everardo Oliveira Silva (Itapipoca, 1 de maio de 1965), conhecido pelo nome artístico de Tiririca, é um cantor, compositor e humorista brasileiro...
Com essas palavras a Wikipédia começa a descrever o deputado federal popularmente conhecido como Tiririca.
            Recebi muitos e-mails insultuosos não apenas ao cidadão Francisco Everardo, mas também ao povo  brasileiro representado nos eleitores que o elegeram. Num dos e-mails, o autor do texto e das imagens chama Francisco Everardo de  PALHAÇO no sentido pejorativo.
Esqueceu-se o autor da mensagem de lembrar-se que palhaço é um profissional do riso, uma personagem, uma caracterização e um ofício. E apesar de confusão que muita gente faz entre o ator e a personagem, a profissão de palhaço, como a de médico, policial, executivos.... exige uniforme. O que parece que não percebem é que, por trás do uniforme de palhaço existe um homem. Um marido, um pai, um cidadão com todos os direitos e deveres que o Estado de Direito lhe assegura.
            Já confundiram isso antes também. Um operário assumir a presidência dessa republiqueta de burgueses boçais?! Impensável! - Mas foi o que aconteceu, para surpresa feliz da Nação.
            Pois é, Excelentíssimo Senhor Deputado Federal Francisco Everardo Oliveira Silva (esse nome Silva tem poderes), agora está na hora de o senhor dar um tempo ao seu uniforme de palhaço para vestir o uniforme do terno e da gravata para dar um exemplo a seus pares na Câmara Federal. Um exemplo de que ladrões, sem-vergonha, canalhas e corruptos são os que enganam o povo com suas caras de doutores, latifundiários, industriais.... existe até deputado eleito com dinheiro de multinacionais mal intencionadas para lesar os interesses nacionais.
            A título de folclore político, está na boca do povo que um deputado federal, preocupado com a inexperiência politica do Tiririca, ofereceu-se para “ensinar-lhe” qualquer coisa sobre as atividades da Câmara e de política, oferta o Deputado Tiririca recusou, acrescentando: “Muito obrigado, colega, mas são vocês que precisam aprender a honestidade comigo.”
            Como baiano, não sou lá muito chegado à Cidade de São Paulo, mas gostaria de mandar um caloroso abraço aos paulistanos que elegeram Tiririca, até porque fazer rir é muito superior e melhor do que fazer chorar, como  fazem esses legalistas e políticos, dos quais o Excelentíssimo Senhor Deputado Federal Francisco  Oliveira Silva é a antítese.
            Não sei por que nosso povo diz que a Câmara Federal é um “circo”. Talvez por isso os palhaços (no sentido pejorativo) de terno e gravata,  tenham tentado barrar a entrada de um cidadão honesto apenas porque seu uniforme de trabalho seja muito alegre para os palhaços de terno.
            Olha lá Tiririca, agora que você trocou de uniforme, continue sento o Palhaço sadio que você sempre foi que é pra ver se cura ou serve de exemplo aos palhaços doentes que andam efiando dinheiro do povo em meias e cuecas.

Até a próxima, Deputado.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Rock

CHEGAR = Para Douglas Pessanha (grande compositor)
Como te prometi, aí vai a resposta sobre o que acho aonde você quer chegar. Parece que você, ou melhor, eu, tu ele, nós, vós eles, estamos na iminência de uma escolha única entre a cruz e a espada;  que pode ser, também, uma escolha entre a cruz e/ou a espada (sem esquecer) que aquilo em que os cristãos acreditam é que a cruz é um dos ícones da Espada como a Palavra de DEUS. A qual diz lá em um dos seus versículos que “conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. Então a Palavra da Verdade é a única espada que pode nos libertar. Aí algum questionador poderá perguntar: “Mas... o que é a verdade?” – Na palavra de Deus está escrito que Jesus Cristo afirmou ser “O Caminho, a Verdade e a Vida”.
Pôncio Pilatos questionou: “O que é a verdade?”. Ele respondeu que Ele era a verdade, e, alem disso, o Caminho e a Vida.
Mas ninguém levou à mesa da discussão o que seria a “liberdade”. E, como você mesmo diz, “para o povo, a liberdade seria a fuga da cruz materializado no medo da morte pela espada/guilhotina  ou ter que entender que a Palavra pode ser uma Espada que mata para levar quem morre à verdadeira vida (coisa que já foi apelidada pelos comunistas e sua “religião de estado” como “ópio do Povo”). E até Napoleão, referindo-se à palavra, comentou que Ela é mais forte que  os canhões.
Voltando ao primeiro parágrafo de sua “mensagem” é preciso contextualizar na história e na política os “anos de chumbo” de Israel sob o domínio da espada de Roma. Israel era uma TEOCRACIA e Roma uma espécie de “repúblic/monárquic-plutocracia” onde a moeda política era o pão e circo para o povo e o escudo contra reações contrárias aos privilégios da classe dominante, a espada. Israel era uma Teocracia onde, em lugar de César, imperava o chefe da sinagoga. A frança, 1789 anos depois de Cristo era uma monarquia. Parece que não tem nada a ver, mas tem, porque entre 1964 e 1985 o chefe da sinagoga ou César de nossa Roma ou rei, aqui no Brasil, era, a cada mandato, um general. Um legítimo representante da espada. E olha que eles deram pão e circo à vontade. Futebol, filme pornô, filmes de violência prosperaram muito nessa época. No ministério do circo, prosperaram comediantes de TV, cantores, entre outros autores e atores que estavam participando de uma novela política na qual não se podia dizer o que se pensava, e sim o que estava escrito no script dos césares daqueles dias. Na Itália (ex-império romano) de nossos dias “o governo Berlusconi - o mais à direita desde 1945 e o mais à direita de toda a Europa - decidiu aumentar a ofensiva contra imigrantes, ciganos, pobres e tudo o que tenha tonalidades vermelhas." http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,conheca-os-argumentos-pro-e-contra-a-extradicao-de-battisti,320869,0.htm

No caso brasileiro isso está quase extinto, e compositores proféticos como Chico Buarque profetizaram que “Amanhã, vai ser outro dia. Hoje você é quem manda, falou, tá falado, não tem discussão, não. A minha gente hoje anda  falando de lado e olhando pro chão...’’ E  a profecia se cumpriu.  A ditadura caiu e hoje é esse amanhã que Chico Cantava. Ou não é? A liberdade está aí. Mas... liberdade é o que mesmo?
Bem, para mim, nessa altura da vida, liberdade é: primeiro, a liberdade de crer (no meu caso em Cristo), e, depois, a liberdade que qualquer um de nós tem de, pelo menos politicamente,  fazer uma escolha entre o bem e o mal e o certo e o errado.Qualquer um é livre para escolher entre, por exemplo: não beber ou escolher afogar-se numa piscina de champagne e, até, escolher beber com moderação e responsabilidade. Acho que estou certo. Somos livres para escolher, Inclusive mulher na presidência da república.
Se alguém quiser saber mais sobre o que é bem e mal e certo e errado, em política, comida, futebol, sexo, cultura e tudo mais na vida, que consulte os compêndios filosóficos, os gurus de suas religiões, seus representantes políticos... seja lá o que for, porque é livre para isso. Mas, antes dessas consultas, é bom consultar a própria consciência sobre o certo e o errado, o bem e o mal, porque também é bom levar em conta a possibilidade de que aquilo que chamamos de consciência pode ser um reflexo de Deus em nossas almas.
E, acima do bem e do mal, do certo e do errado, paira a espada da Justiça para que sejam eliminados todos os empecilhos existentes no caminho da felicidade humana. E para mim, felicidade humana tem nome próprio: O Reino dos Céus na Terra. Sou Cristão. Não sou igrejeiro, mas sou Cristão. Enfim, que venha a nós o Vosso Reino. Mas é bom levar em conta que para regar a árvore da liberdade, símbolo desse Reino, às vezes é preciso usar sangue. Se preciso. Acho que “é preciso regar a arvore da nossa liberdade com nosso próprio sangue, se preciso, suponho que tenha sido Roosevel quem tenha dito isso..”
Post Scriptum: Nesse reino, o Pais é a felicidade geral da nação.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

PALAVRAS AO VENTO 2 - Por Aristide Battisti

PALAVRAS AO VENTO 2 – PARA ARISTIDE BATISTTI
Carlos Lindberg
A polêmica sobre o caso Batistti resume-se à pergunta sobre se uma  decisão emanada da autoridade máxima de um Pais pode ser revogada pela decisão de um par que a sucedeu na cadeira presidencial. Claro que a pergunta pode suscitar novas polêmicas e controvérsias. Entretanto, no meu modo simples de entender as coisas, já está entranhado no inconsciente coletivo do povo brasileiro que “Palavra de Rei não volta atrás”. E quem mais Rei do que o ex-presidente Lula para assinar a concessão de asilo político a um cidadão de outro país?
Sobre Batistti uma matéria publicada no site   http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,conheca-os-argumentos-pro-e-contra-a-extradicao-de-battisti,320869,0.htm  nos informa que o grupo político no qual Batistti praticou seus “crimes”, (grifo meu) era o  Proletários Armados pelo Comunismo (PAC).   "Battisti fazia parte de um grupo minúsculo e, dentro desse grupo, era uma pessoa insignificante. O azar dele foi ter recebido o estatuto de refugiado justamente quando o governo Berlusconi - o mais à direita desde 1945 e o mais à direita de toda a Europa - decidiu aumentar a ofensiva contra imigrantes, ciganos, pobres e tudo o que tenha tonalidades vermelhas."
Isso bastaria para nos lembrar que de 1964 até 1985 a coisa no Brasil era assim ou pior. Era muito fácil pintar anjos como Marina Silva Ou Dilma Roussef, ou Lula de demônios. Todos os que combateram pela Justiça se opuseram a essa mentira e a ditadura foi embora. Mas como será lá pela Itália agora? Será que não estarão queimando como hereges aqueles a quem amanhã irão erguer estátuas?
Mas o mérito da questão não é exatamente esse. O mérito é se se deve anular a última decisão do Maior Político com P maiúsculo que o Brasil conheceu.
Que artifícios hermenêuticos (talvez de silicone) irão criar os inimigos da história positiva para justificar o injustificável, sabendo, como sabemos que os povos que esquecem o seu passado estão condenados a repeti-lo?
Acatar o pedido de extradição de Batistti seria arriar as calcinhas da Soberania Nacional para que os neo-romanos tentem agregar mais um neo-protetorado – político? econômico? diplomático? Imagético? – perante a comunidade internacional e firmar-se como ainda “superior”. Coisa de europeu "neo-colonizador do passado".
Mas... Superior em que? Se for confiada em superioridade bélica, nós já mostramos na II Guerra Mundial as qualidades do soldado brasileiro. Além disso, agora Dona Dilma vai comprar uns caças franceses que podem responder muito eficientemente a qualquer intrusão em nosso “way of life”.
Na diplomacia temos craques que podem confirmar a boutade verídica de Napoleão de que a palavra é mais forte do que a espada. Mas se escolherem a espada, eu mesmo também compro uma.
Nas questões ligadas à Organização Mundial do Comércio, tenho certeza de que um rompimento de qualquer tipo com a Itália, não faria nem cócegas na pujante economia brasileira (fato que devemos agradecer a Lula e aos que o auxiliariam).
Falando em auxiliar, estou escrevendo isso para que, de algum modo, chegue às mãos de quem de direito, o conhecimento, seja lá onde for, de que não se discutem as decisões de um povo soberano. Um povo que sabe o que sofreu sob o comando dos uniformes. Nosso uniforme agora é ideológico: é branco (cor  símbolo da Paz) e com uma faixa vermelha, cor de sangue, o sangue de um que derramou os seu próprio em defesa dos ideais de amor, acolhimento e perdão.
Se Roma, sede do Vaticano, não consultar o Papa sobre este assunto, estará pisoteando o “cristianismo da Igreja Católica”. E se o Papa não concordar com a concessão do asilo político, estará pisoteando seu proprio "cristianismo". Acho bom também lembrar que os centuriões modernos vestem terno ou uniforme.
Para nós aqui, que sabemos que quem inventa o pecado também pode oferecer o perdão, Batistti fica aqui. Além disso, duvido que a Presidenta discorde do discernimento político de um companheiro que sabe como aumentar a influência do Brasil no cenário internacional para exportarmo-nos. Mesmo à custa de uma queda de braço no cenário político internacional com o novo "César": il signore Berlusconi. Isso também repercute internamente; viu Dona Dilma!
Só não podemos peitar ainda: os Estados Unidos, a Rússia, e a China. Mas esses romanos? que nos abordem com boas Maneiras. Se não as tiverem consultem os Franceses.

domingo, 16 de janeiro de 2011

PALAVRAS AO VENTO

PALAVRAS AO VENTO
 (Conselho Político)

Carlos Lindberg


         O tempo passa e atravessamos nossas vidas indo ao encontro de coisas com as quais, na maioria das vezes, nem sonhamos.

Quando, no alvorecer da existência humana os caminhos nos parecem encantados, as curvas do futuro nos mostram miragens e ilusões que nos levam a tomar o rumo indicado pelos sonhos. Mas, quando o passar dos anos nos traz o gosto amargo e frio da realidade que quase sempre nos fere, alguma coisa dentro de nós estanca diante do vazio que fica no lugar da dolorosa perda de nossas esperanças e é aí que temos de dobrar esforços para reconstruir a velha ponte que liga a realidade ao imaginário a fim de transpormos o vale de trevas que fica na tela aterradora do horizonte.

Porém tal sonho precisa ser outro. Já não pode ter a ver com a pequenez do egoísmo e nem ser amesquinhado pelas peripécias dos destinos individuais. Ao contrário, terá necessariamente que ser impulsionado pela força antiga e rara que dá elevação moral e espiritual à espécie humana: a força da esperança de um mundo melhor para todos.

É assim que, ao entardecer de uma existência já destituída de sentido pessoal, não me movo mais em meio à pequenez dos interesses do meu cotidiano e nem me interessam mais as atribulações de meus assuntos individuais. Vivo na contemplação dos amplos espaços de tempo da grande aventura humana e me movo no curso das idéias que movem os séculos.
        
De mim, como indivíduo, talvez tenha alguma importância o fato de que o fel de todo destino humano, em minha vida pessoal veio na forma de uma existência infeliz, transtornada e cheia de privações. E ainda que o meu caminho rumo ao poente tenha tido apenas a perspectiva das desfigurações, o cerne desta vida foi nobre, teve personalidade e grandeza porque foi generoso e foi bravo até mesmo em face de insuperáveis dificuldades e, ainda quando não reconhecido, teve valor, porque uma certeza, cujo brilho pode até ser desprezado, mas nunca destruído, iluminou meu caminho neste vale de sofrimentos e mesquinharias: a certeza de que a maior riqueza que um homem pode adquirir neste mundo de onde nada se leva, e no qual, mesmo quando muito se possui, muito se sofre, é fazer girar a vida não em torno das moedas, mas em torno das estrelas, do bem, da verdade e da poesia.

No mais, busquei regar com as cores do arco-íris qualquer razão de cinza em nosso chão.
Na política, isso quer dizer que o Brasil deixou de ser o Pais do futuro e não pode mais ser o País do passado. A responsabilidade social dos nossos condutores agora (no presente) é a de desvencilhar-se das peripécias da política infantilizada e atuar com eficácia atitudinal para que seja construída a velha ponte que liga o real ao imaginário, ou seja, materializar a esperança de um mundo melhor para todos. Talvez, para isso seja necessário decompor o branco que simboliza a paz (o qual, na física (e no “físico”) não passa da síntese ótica de todas as cores),classificar as tipologias dessas esperanças, e fazer o máximo para torná-las reais. Em parte isso já foi conseguido com a eleição de uma mulher para o cargo de presidente da república, especialmente pela lição que os votantes deram ao optar pelo “feminino” na política. A minha esperança pessoal é a de que o sentimento materno que pulsa dentro do peito da suprema mandatária traduza-se num cuidado muito mais zeloso e abrangente (coletivo) para com os filhos de uma nação de desvalidos. Só assim poderemos livrarmo-nos do estigma de sermos um dos países mais ricos que “abriga” o maior número percentual de pobres. Dessa forma, acredito e espero, que a visão materna da suprema mandatária estenda seus cuidados pela via política da “mão estendida” ao social, ao ético, ao econômico, ao cultural (artes, música, literatura), ao verdadeiramente antropológico, porque o Brasil tem tudo para exportar-se e neo-colonizar o mundo com seu exemplo de vida justa,  solidária, prospera e plural porque isso é o que nos tornará singulares quando  tratar-se de moldar  o melhor modelo de dignidade existencial para o mundo. Seja bem-vinda Presidenta Dilma.

Para isso existe “receita” universal, "but the cook must be multilingual".